Todos juntos podemos ler 31 Jan

Todos juntos podemos ler

A RBE, o Plano Nacional de Leitura e a Direção de Serviços da Educação Especial e Apoios Sócioeducativos conceberam um projeto que tem como objetivo a criação de bibliotecas inclusivas, capazes de proporcionar hábitos de leitura para todos os alunos.

Perante a crescente inclusão de alunos com necessidades educativas especiais nas escolas do ensino regular, as bibliotecas escolares veem-se, hoje, confrontadas com a imprescindibilidade de responder a uma população escolar com competências diversas e que requer, em muitas situações, meios tecnológicos diferenciados de acesso à leitura, tendo-se realizado o seu 1.º encontro nacional no passado dia 27 de janeiro no Fórum Telecom.

A inclusão de alunos com necessidades educativas especiais nas escolas do ensino regular tem vindo a aumentar colocando às bibliotecas escolares, espaços de excelência para o desenvolvimento da literacia, a necessidade de responder a alunos com competências diversas, algo que requer, em muitas situações, meios tecnológicos diferenciados de acesso à leitura.

Para Graça Rebocho, diretora da Fundação PT presente no evento, esta parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares faz todo o sentido.  “O nosso apoio tem sido contribuir para a inclusão ao nível da educação e ao nível social de jovens e crianças, alunos com necessidades educativas especiais.” Um apoio traduzido através de hardware, de equipamentos, e também de software adaptado a cada tipo de necessidade do aluno.

No âmbito desta parceria, já com quatro anos, a Fundação PT já apoiou mais de 3600 crianças e jovens, em 45 agrupamentos escolares. Este ano letivo está previsto apoiar-se mais 15 agrupamentos escolares.

“Pelo resultado desta parceria, pelo trabalho que tem sido feito pela Rede de Bibliotecas Escolares e, no caso concreto, pelo Todos Juntos Podemos Ler, acreditamos que a parceria é para continuar, pois é desta forma que as instituições, as organizações e as escolas conseguem chegar mais longe.

Por isso a Fundação PT trabalha muito em parceria com a Direção Geral da Educação e com as Secretarias de Estado para a inclusão e para a educação, porque acreditamos que os frutos são maiores, são mais positivos, conseguimos chegar a mais alunos e procuramos através destas parcerias e deste trabalho em conjunto uma inclusão social e ao nível da educação destes alunos”, concluiu esta responsável.

A sessão de abertura contou ainda com as intervenções de Ana Sofia Antunes, Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, bem como do Secretário de Estado da Educação, João Costa.

Portadora de deficiência visual e leitora incansável, Ana Sofia Antunes sabe que o recurso aos novos meios tecnológicos é fundamental. “No caso de alunos com deficiência visual, é fundamental que, num primeiro momento da aprendizagem, o braille seja o sistema privilegiado para o acesso destes alunos à leitura. Este sistema, se introduzido desde cedo, vai acompanhar o aluno para sempre, embora possa e deva ser complementado pelas novas tecnologias e pela multiplicidade de conteúdos que o formato digital trouxe às crianças com deficiência visual”, referiu.

Mas ainda há muito que fazer nesta área e a secretária de estado relembrou que “apenas cerca de 1 % das obras editadas em todo o mundo são em formatos acessíveis a pessoas com deficiência visual e isto é preocupante e é algo a que temos vindo a tentar dar a volta no sentido de derrubar barreiras”.

João Costa, Secretário de Estado da Educação, enfatizou a extrema importância dos livros, da leitura e das bibliotecas escolares, depositárias do maior depósito de literatura das escolas. “A literatura abre-nos os olhos e faz-nos ver que aquilo que não é possível, afinal é possível”, referiu na sua intervenção.

“A rede assume hoje um papel pioneiro e muitas das coisas de que hoje falamos no âmbito do plano de promoção do processo escolar, quando funcionam bem, já estas bibliotecas promovem há muito tempo. O plano de promoção do sucesso escolar assenta no direito que todos têm de ter à formação e assenta numa relação muito evidente com fatores motivacionais para acesso ao conhecimento. E a biblioteca já faz isso, ao trazê-los e ao sentá-los de uma forma diferente num espaço dentro da escola sem ser no formato ‘autocarro’, a biblioteca é sobretudo um espaço de desafios: de conhecimento, de cidadania, de integração”, concluiu.

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