Entre Linhas, de Joana Arez - Exposição de Pintura 5 Mar

Entre Linhas, de Joana Arez - Exposição de Pintura

Joana Arez trabalhou durante muitos anos como diretora criativa na área da publicidade, desenvolvendo seu percurso profissional em importantes agencias como McCann, TBWA, Publicis ou Saatchi & Saatchi.

Desde 2011, esta desenhadora gráfica licenciada na IADE-CREATIVE UNIVERSITY  de Lisboa, dedicou-se  exclusivamente à sua paixão pela pintura. O interesse pelo tema ferroviário surgiu no meio das viagens realizadas entre o seu ponto de partida, Alvalade, passando por Moçambique de onde regressou, aos 3 anos.

Os comboios marcam presença na paisagem e chegaram a marcar-lhe o ritmo dos dias quando ficava a pintar até de madrugada, sempre com espátulas, revelando a  autenticidade da sua pintura através das influências que mais marcam a sua vida, sejam a música, as viagens, ou quaisquer outras circunstâncias  que de algum modo a inspiram. 

A pequenez dos pincéis e a leveza dos tupperwares contrastam com o que a fez apaixonar pelos comboios, o ferro pesado e a força “poderosa” da velocidade transmitida quando estes passam. Para Joana Arez, a vida faz-se “sempre a andar, sempre a andar”. O ferro das linhas  representam viagens “sem fim”. “Quer eu queira ou não, para mim os comboios são luz. Não sei se é por estar mais habituada a vê-los de noite pela minha janela. O prateado, por outro lado, não faz parte da paleta e está reservado para outro ponto da paisagem noturna: o caminho de prata que a lua desenha sobre o rio. Fica um caminho e, lá está, eu adoro caminhos”.

 “No silêncio das entre-linhas encontram-se a cor e a sua ausência, espaços de vida. Linhas paralelas transgridem as leis da geometria curvando-se, intersectando-se numa cadência harmoniosa e desconcertante.

A serena vertigem deste cruzar de paralelos, mais se acentua quando simultaneamente se aproximam e afastam numa dança sem nome. É urgente a história e os nós. Mais uma vez a artista inventa-se surpreendendo o universo dos sentidos - E tudo nasce nas entre-linhas.

Na sombra da cor surge a luz, intuindo a aventura da viagem entre a velocidade e cada palavra e o que parece distância é na verdade o chegar. O pulsar que guia a evolução do trabalho da artista, é gémeo da sístole e diástole, encerrando em si mesmo a ideia de caminho percorrido e o por percorrer e o da voz, libertando o destino do traço que lhe corre quente pela mão.

Nesta exposição, a inconfundível identidade do seu reconhecido riscar, expõe-se a si mesma com o todo desta obra, sem que desta vez uma sequer palavra apareça escrita. Mas que está. E é. E será sempre.”

[2018 / Por Isabel Fragoso]
Esta exposição, em “Entre-Linhas” está agora em exibição no Espaço PT, Andrade Corvo e pode ser visitada até ao próximo dia 3 de abril.

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