App para inclusão social de quem tem Paralisia Cerebral 24 Jul

App para inclusão social de quem tem Paralisia Cerebral

A Fundação PT, em parceria com a Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral, está a desenvolver novas funcionalidades numa aplicação móvel para facilitar a comunicação de pessoas com paralisia cerebral.

Magic Contact, é uma aplicação gratuita para acessibilidade a smartphones e tablets Android, foi lançada há cerca de 4 anos pela Fundação PT, e permite que as pessoas com motricidade limitada ou sem mobilidade dos membros superiores possam fazer todas aquelas operações que tomamos como garantidas, mas que rapidamente se tornam quase impossíveis de efetuar se não pudermos usar os braços e mãos. Efetuar chamadas, enviar mensagens escritas e navegar na internet, são facilitadas através das funcionalidades disponibilizadas no Magic Contact.  

Esta aplicação disponibilizada pela Fundação PT possibilita também comunicar de forma alternativa através de sínteses de voz, som gravado e símbolos, frases já programadas e tabelas de comunicação (agrupamento de símbolos ou famílias de palavras). A interação com o equipamento pode ser feita através de dois modos: por varrimento e por ampliação de zonas no ecrã.
 
 
Resultado de testes realizados e sugestões enviadas pelas instituições que trabalham as áreas da deficiência neuromotora, a Magic Contact tem vindo a ser aperfeiçoada com novas funcionalidades que permitem ajustar cada vez mais e melhor a aplicação e seus equipamentos periféricos às mais diversas situações de motricidade limitada. 
 
Desta vez, a aplicação está a ser testada na Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC), e prevê-se criar um novo conjunto de ferramentas que irá aumentar o grau de autonomia do utilizador com paralisia cerebral.
 
De acordo com Daniel Freitas da Fundação PT, “o recurso a um botão externo ligado por cabo ao 'smartphone' ou ao 'tablet' simplifica essa relação, abrindo aos utentes da APPC a faculdade de usarem as principais ferramentas do telemóvel, fazer uma chamada, enviar uma mensagem e navegar na internet….Há ainda ferramentas para ajudar a comunicar através de símbolos, de escrita"
 
Enaltecendo as "mais-valias" que a proximidade com a APPC e com os seus utilizadores traz ao projeto, Daniel Freitas da Fundação PT e Marta Samúdio, terapeuta ocupacional da equipa do Serviço de Tecnologias de Apoio da APPC, concordaram que as sugestões apresentadas pela associação vão no sentido de uma maior personalização da aplicação.
 
"Temos não só a população que utiliza esta tecnologia mas também temos testado os resultados para tentar melhorar a aplicação", disse a responsável da APPC de um "trabalho que permite personalizar a aplicação às necessidades e às dificuldades do utilizador".
E porque as "necessidades vão mudando, quer em termos do utilizador quer sobre aquilo que se faz com a tecnologia", Marta Samúdio admite que "há sempre algo para melhorar". Ainda testemunhando o sucesso da ferramenta, "Temos clientes a utilizá-la diariamente e estão satisfeitos. É uma aplicação que é gratuita, com a possibilidade de se personalizar, facto que funciona como uma mais-valia", disse.
 
 
A diretora da Fundação PT, Graça Rebocho, frisou que as "soluções desenvolvem-se, sobretudo, através da tecnologia, sendo adaptadas a cada tipo de necessidade".
 
Admitindo que a otimização das respostas no tempo, em relação às sugestões feitas, "pode ainda melhorar", sublinhou as parcerias com as universidades, citando o exemplo da Magic Contact, "A ideia foi de um colaborador da Fundação PT e nós pedimos ao Instituto Politécnico da Guarda que desenvolvesse tecnologicamente a solução", relatou a diretora da Fundação PT.
 
O presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral, Abílio Cunha, explicou que fruto da parceria "trabalham-se em conjunto as autonomias do indivíduo".
 
 
 
Citando a Convenção dos Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, Abílio Cunha frisa a importância da tecnologia para "superar algumas limitações, sobretudo na paralisia cerebral, em que a comunicação é, para a maior parte, um entrave à autonomia e à inclusão".……. "As pessoas que estão a utilizar estas tecnologias usufruem de uma autonomia que lhes permite terem qualidade de vida e seguirem o seu percurso como outro cidadão", disse.
 
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