Há arte na cabine 14 Set

Há arte na cabine

Na Amadora, a arte da Cabine juntou-se à palavra e à lusofonia e marcou presença no evento Poesia na Rua, entre os dias 11 e 13 de setembro.

Foi em parceria com a Fundação PT que a Câmara Municipal da Amadora convidou cinco artistas plásticas e ilustradoras portuguesas para conceberem propostas visuais, em formato instalação, para um conjunto de cabines telefónicas, convertendo-as em suportes artísticos.

O jardim da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, foi o espaço que acolheu este núcleo de intervenções artísticas urbanas que além das Cabines Artísticas também teve workshops, quiosques literários, ações de performance poética e concertos, um programa de atividades culturais de divulgação, promoção e desenvolvimento de dinâmicas artísticas relacionadas com a poesia, com o objetivo de enriquecer a relação do leitor com este género literário e com o espaço público da cidade da Amadora.

A arte esteve na rua, e o público foi convidado a explorar cada universo, podendo inclusive, interagir com os seus elementos estéticos.

Sob a temática da literatura e, em particular, da poesia, as artistas Catarina GLAM, Ana Dias, Elsa Poderosa, Cristina Viana e Filipa Jacinto sugerem uma nova perspetiva de recriação das cabines telefónicas, devidamente vocacionada para o espaço público, onde procuraram promover em simultâneo a criação literária e a expressão artística.

 

Sobre as artistas que deram vida a estas cabines

Catarina Monteiro aka Glam é uma artista urbana portuguesa, cujo trabalho iniciou-se no ano 2000, respondendo à sua paixão pelas cores e formas, acabando por se dedicar ao graffiti, à pintura de murais e instalações em diversos materiais. Nesta instalação, a artista propõe um diálogo com a cidade e as suas infraestruturas, através da representação de uma lata de spray e do papel da tridimensionalidade na reconversão de suportes físicos em espaços de imersão artística alertando para a importância do combate ao desperdício.

Cristina Viana é natural de Lagos. Enveredou pela ilustração, ainda na Universidade de Évora, onde vive atualmente. A sua instalação revela um poema da sua autoria e o imaginário satírico que caracteriza o seu universo artístico. Os elementos gráficos, com linhas simples, convocam a atenção do observador para o posicionamento da mulher na sociedade e o seu constante questionamento interior, patente nos diferentes papéis sociais que a mesma assume. 

Ana Dias (1986), nasceu em Leiria. A artista plástica e ilustradora é licenciada em Artes Visuais e Multimédia e o seu percurso artístico explora, sobretudo, a ilustração e a banda desenhada, com referências na caricatura e ao desenvolvimento de personagens autorais.  A artista plástica revestiu a cabine telefónica com a colagem de reaproveitamentos de circuitos elétricos provenientes de diferentes equipamentos e dispositivos, intercalados com ilustrações de plantas industriais e urbanas, alusivas aos temas explorados pelo heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, num dos seus poemas mais icónicos: Ode Triunfal.

Elsa Poderosa Pretende criar um universo mágico, habitado por seres marinhos etéreos, que reúnam características como delicadeza, transparência, pureza e leveza, predominando, sobretudo, seres com tentáculos dançantes, pequenos peixes e algas. Através da representação de seres tão delicados pretende demonstrar a fragilidade da vida, mas, simultaneamente, a resiliência da Natureza.

Filipa Jacinto (1992), nasceu em Lisboa e é designer e artista gráfica. Em 2015, funda o ‘Já Sinto’, um projeto que une o design à arte urbana, com uma vertente social e ativista.  Esta instalação explora as emoções, através de uma partilha coletiva de reflexão e introspeção sobre o eu, o outro, e a sociedade. Os sentimentos resultantes desta partilha surgem espelhados nas duas laterais do suporte, através de ondas de som que identificam a sonoridade de cada sentimento, emoção. “Tenho tanto para te dizer” é o slogan. Nesta frase está imbuído o coletivo, a rede, aferindo do lugar preponderante do digital e do virtual no quotidiano.

Conheça outras cabines de leitura que a Fundação PT disponibilizou pelo país.

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